quinta-feira, 18 de março de 2010
Passado de hoje
sábado, 7 de novembro de 2009
L. A. Costa Pinto e o conceito de "Marginalidade Estrutural"
Luiz de Aguiar Costa Pinto é um sociólogo nascido na Bahia em 1920. Em 1937, na cidade do Rio de Janeiro, conquista posição de destaque na formação de Ciências Sociais. Começa a atuar no movimento estudantil comunista que o leva a ser preso em 1939. Em sua militância, Costa Pinto publica seu primeiro livro criticando o fascismo e o nacionalismo. Em 1943, começa a dar aulas na Universidade do Brasil e a participar de forma intensa na UNESCO em uma pesquisa sobre relações raciais no Brasil com enfoque na Bahia, em seguida aponta para a necessidade de desenvolver um braço da pesquisa para o Rio de Janeiro, executando isso com sucesso. Na faculdade da Bahia, Costa pinto leciona direito e através de seu pai faz contato com vários pensadores importante, incluindo-se aí Arthur Ramos com grande importância pela participação na UNESCO.
Costa Pinto se preocupa com a estrutura arcaica do Brasil e se esforça pela superação da mesma para assim, o Brasil poder atender aos ideais modernos do ocidente, introduzindo assim o conceito de “marginalidade estrutural” que denuncia a acomodação da estrutura do Brasil que não o permitia a desenvolver-se em direção a modernidade.
Em sua concepção de contemporaneidade, Costa Pinto nos fala da existência de tempos distintos na mesma sociedade, se distinguindo assim das teorias evolucionistas por serem muito otimistas. Em sua concepção de mudança social, tem uma abordagem cética quanto ao caminho certo rumo a um patamar da estrutura social, que pela teoria evolucionista, seria superior. Apesar de toda a sua cautela, Costa Pinto ainda acredita que seja possível mudar o futuro e atribuir-lhe uma fisionomia, apesar desta empreitada fugir do nosso controle absoluto.
Contrário a qualquer traço fundamental marxista, Costa Pinto afirma que as transformações econômicas em determinada sociedade não provocam, necessariamente, transformações em todas as esferas sociais. Estas mudanças sociais não são produtos das ações de “grandes homens”, mas sim, em certa medida, com as modificações das relações trabalhistas.
Estas transformações, rumo à modernização, iriam coexistir com a estrutura arcaica, havendo um permanente diálogo entre a tradição e a modernidade. Costa Pinto aponta para a importância do conflito, não o abordando de forma corretiva e sim como sendo uma forma integrante da sociedade, especialmente aquelas que se encontram em processo de transformação social. Este processo não seria lento nem harmonioso, muito pelo contrário, seria marcado por uma pegada turbulenta e conflituosa.
Para entender essa transição, Costa Pinto da grande ênfase nas transformações do mundo do trabalho. O enfoque do seu trabalho se da na introdução da Petrobrás na região onde faz seu estudo, e como ali se dará a compreensão da forma de trabalho que serão conflituosas, pois havendo transformações no trabalho, há repercussões em outras esferas. É na análise deste contexto que Costa Pinto introduz o conceito de “marginalidade estrutural”
Em 1947, publica a obra “Sociologia e Mudança Social” distinguindo a Sociologia Acadêmica da Crítica. Sua crítica à Sociologia Acadêmica se da ao fato que, para Costa Pinto, esta não consegue sair de um nível de abstração que não possibilita o real conhecimento da realidade, acabando por se apresentar como um único paradigma possível. A “utopia da mistificação conservadora” naturaliza as relações, repercutindo na reprodução do status quo. Já a Sociologia Crítica se compromete com a tomada da posição militante, ou seja, utiliza-se da Sociologia na temática da mudança social acerca do Recôncavo, assim como em toda a sua obra.
Sua distinção entre desenvolvimento e modernização esta no cerne da hipótese da “marginalidade estrutural” (presente em qualquer sociedade em processo de mudança), esta seria a resposta principal para os problemas que bloqueiam as transformações radicais.
A sociedade em desenvolvimento é necessariamente diferente na questão de desenvolvimento em diferentes partes desta. Elas não se modificam no mesmo ritmo, esta diferença de ritmo na estrutura social é um caráter elementar das sociedades em transição. Havendo um prevalecimento da estrutura arcaica em detrimento da falta de predominância da nova estrutura. Não havendo um dualismo no qual há um novo padrão com todas as soluções para tal sociedade, abordagem esta opositora à teoria evolucionista. “A dualidade consistiria na coexistência de dois padrões: de arcaísmo e progresso.”
A modernização, diferente do desenvolvimento, é marcada pela transformação externa da sociedade que repercute em transformações internas, como novos padrões de consumo e instituições sociais mais avançadas que não necessariamente implicam em mudanças na estrutura socioeconômica; já o desenvolvimento é caracterizado pela mudança interna propositalmente provocada com repercussões internacionais.
Em relação ao papel do Estado, Costa Pinto nos diz que as classes dirigentes têm maior poder sobre o aparelho do Estado e assumindo a direção política. Neste contexto, o estado é uma ferramenta de controle para a manutenção da ordem estabelecida, assegurando assim a estabilidade e permanência da ordem tradicional e da classe dirigente. Já no processo de desenvolvimento, o Estado deixa de atender somente ás demandas das classes dominantes e passa a se tornar independente, sendo a fonte do desenvolvimento através da iniciativa de promover a mudança social, podendo de esta maneira o Estado assumir as mais diversas funções.
Caio Costa também percebe uma ambivalência no que diz respeito às classes sociais. Existe a dicotomia em relação à urbanização/industrialização, que promove transformações no padrão social, e o padrão social. Percebe, pelo conceito de “marginalidade estrutural”, diversos padrões de estratificação social. As classes sociais do presente coexistem com a estratificação típica do padrão tradicional.
Em sua obra, Costa Pinto tenta evidenciar a convivência de grandes empresas petrolíferas com padrões de relações tradicionais. Seu foco são as transformações sociais nas relações trabalhistas. Para isso, observa a propriedade, relações contratuais e as formas de produção. A transformação na estrutura econômica não levaria necessariamente à transformação na estrutura como um todo.
Como se pode observar, Costa Pinto da uma grande ênfase na possibilidade de mudança na estrutura social do país, havendo assim possibilidade de termos um futuro mais adequado. Diferentemente das teorias lineares marxistas, Costa Pino é cético quanto à possibilidade do desenvolvimento social como uma característica natural, pois para ele há a necessidade de empenho para que, independente da sociedade, alcancemos uma sociedade melhor. Entretanto, por mais que sua teoria universalista se foque na questão da “marginalidade estrutural” e das mudanças nas esferas sociais, falta-lhe material etnográfico que de mais verossimilhança à sua teoria.
Referência Bibliográfica
COSTA PINTO, L. de A. Recôncavo: Laboratório de uma experiência humana. 2 Edição. Salvador, Editora Costa Pinto, 1997.
VILLAS BOAS, Gláucia. http://www.ifcs.ufrj.br/~nusc/costa_pinto.pdf. Acessado em: 04/10/2009 às 23:50
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Coronelismo, Enxada e Voto
| Reações: |
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O movimento teórico da sociologia
Entretanto, paralelamente ocorre um desanimo e falta confiança em ambas as escolas, o que provoca um regresso em suas teorias. Isso aconteceu devido à unilateriedade de suas teorias, o que não possibilitava que se sustentassem, e este será o tema do artigo de Alexander. Para ele, as ações e estruturas destas escolas precisavam ser articuladas.
O que Alexander pretende com este artigo é analisar esta mutação na teoria geral. Antes de tudo, ele busca explicar as razões que legitimam uma teoria geral e sua defesa.
A defesa será elucidada a partir da natureza das ciências socais, ou seja, também falará dos modos discursivos propriamente teóricos. Mostrará também, que estes modos discursivos possuem características distintas dos empíricos. Ademais, irá explanar o desenvolvimento das respostas de tais escolas para a teórica funcionalista com critérios próprios de legitimação. Por fim, irá elucidar de maneira simples o que poderia ser um "modelo sintético" da relação entre ação e estrutura.
Na linguagem da ciência social, os temos de microsocioliga e macrosociologia tem sido identificados como a distinção entre o foco empírico de um lado, e por outro na interação social, formando em conjunto um sistema social completo.
Alexander Homans, ao apresentar a teoria das trocas renovou a posição utilitarista que servia de base a Parsons. Homans renegava a tradição coletivista, assim como a tendência interpretativa da teoria individualista. Afirmava que a vida social não era constituída por elementos extra-individuais, mas por atores racionais. Desta maneira, as forças sociais que agem sobre o indivíduo só poderiam ser estudadas de maneira objetiva e externa.
Sua teoria das trocas fez renascer a microsociologia, e abordava também que era através da decisão do custo da troca que os atores faziam com que as “condições sociais objetivas” se articulem na vida do indivíduo, instituições e grupos.
Outras vertentes da microteoria se inclinavam para o “interpretativismo”. Blumer desenvolveu outra vertente que diz se o “eu” do ator e não o “eu” social que determina a ordem descrita por Blumer, pois o ator não é identificado como portador da ordem coletiva, e sim a relevância situacional imediata.
Por outro lado, a etno-metodologia se mostra mais complexa. Garfinkel tem como objeto a maneira na qual os atores usam suas regras sociais. Ele afirma que através de técnicas cognitivas o ator realiza eventos contingentes as regras socialmente estruturadas de maneira representativa. Neste caso, as regras além de específicas, são mutáveis.
Assim como ocorre com outras teorias, a etno-metodologia precisa legitimar-se sob aspectos mais gerais ao longo de seu desenvolvimento. Ela, entretanto, se mostra mais inclinada a uma sociologia alternativa, afirmando a prática individual como estando acima das estruturas sociais. Segundo este argumento, podemos observar que tendo as técnicas constitutivas como onipresentes, é possível afirmar que a ordem social é contingente e a prática da atividade ordenada se identifica como a própria ordem social. Entretanto, este argumento é contestado inclusive por outras vertentes da etno-metodologia.
Alexander observa um novo movimento pendular, numa tentativa de retorno ao campo teórico multifacetado. As teorias que até o momento lideravam o campo sociológico se mostram insatisfatórias. Teóricos que até o momento se focalizavam na microteoria tentam por sua vez obter observações estruturalistas sob a ação social. E, em contrapartida, “macro-teóricos” tentam por sua vezz rever suas terias para incorporar o ator social e a ação contingente.
Desta maneira, Alexander propõe que para se estruturar esse novo movimento teórico deve-se teorizar a cultura com uma bagagem sociológica sem prejudicar a criatividade e não se deixar cair no idealismo, ou seja, fazer a soma entre os estudos culturais e a sociologia. Alexander também afirma que a ciência social caminha de duas maneiras: por meio da lógica generalizante, e por meio da racionalidade dos experimentos empíricos.
Artigo na íntegra: O Novo Movimento Teórico
| Reações: |
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O "Sentido da Coloniação" de Caio Prado Júnior
| Reações: |
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Festa Imaginária – Um ato de protesto
Sexta – 09 de outubro de 2009
Cinelândia – RJ – 18 hr

A conquista do tempo livre no mundo do trabalho e estudos transcende o direito de descanso e implica a oportunidade do exercício de funções individuais tais como distrair, desenvolver-se etc. Portanto, o tempo livre se inscreve num tempo social que permite a livre expressão do individuo em sociedade.
O lazer pode se tornar um tempo de “fuga” ou “anestesiante” o lazer que esvazia o homem de sua interioridade pelo processo de massificação. É o vazio, o nada, o tédio, a alienação que vem como lazer, porém, aqui podemos encarar mais como um “antilazer”. E não é desse tipo de lazer que estamos falando!
É justamente nesse sentido que vemos o papel social importante das festas de musica eletrônica que abrem espaços no interior da sociedade e ela não é apenas um espetáculo onde se joga com a realidade e com o imaginário, mas, igualmente, oferece a possibilidade para uma participação ativa onde se criam momentos para a libertação física e psíquica propiciando a vivencia da conviviabilidade e solidariedade.
A festa é uma verdadeira “recr(e/i)ação” ao contrario de muitas formas de lazer pobres em criatividade, convivialidade e comunhão cominutária. Somos ainda capazes de resolver, pelo menos no plano simbólico, as contradições da vida social, apontando assim, para seu poderoso papel de mediador entre as estruturas econômicas, bem como entre as diferenças sociais e culturais, estabelecendo pontes entre grupos e indivíduos, realidade e utopias, além de suas mediações simbólicas entre o sagrado e o profano. Um ritual moderno capaz de reforçar o sentido de cidadania proporcionando um despertar da consciência do grupo, de comunidade. Por essas razões, entre outras, às festas, tem uma tríplice importância: cultural, por colocar em cena valores, projetos, artes e devoção; como modelo de ação popular e como produto turístico capaz de revitalizar e revigorar muitas cidades.
Pelo fim da burocracia.
Pela liberação das raves.
Pela música eletrônica como movimento cultural.
=Como vai funcionar?
Flash Mob são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público, para realizar determinada ação inusitada, previamente combinada, após o que, as pessoas se dispersam tão rapidamente quanto se reuniram.
A duração desse FM (Flash Mob) é de 30 minutos.
= Onde?
Cinelândia – Centro do Rio de Janeiro em frente à Câmara
= Porque participar?
Será um ato irreverente e civilizado de protesto. Queremos chamar atenção e assim despertar a curiosidade.
Sua participação é fundamental, assim como o seu bom humor.
Tudo será registrado, filmado, fotografado e vamos repercutir o máximo que pudermos esse ato na mídia, pra que assim, possamos criar debates a respeito do tema.
= O que devo levar?
- I-pod, ou qualquer tocador de musica;
- Fones de ouvido;
- Suas melhores musicas;
- Malabares;
- Se vista como se estivesse indo pra uma noitada ou de forma bem irreverente.
= Como vou saber quando começou? E o que fazer?
Vídeo de inspiração:
As 18 hr em ponto a ação ira começar, tendo como “start” o som de um apito.
Dêem o play nos seus tocadores de mp3 e ajam como se estivesse em uma festa real, dançando, bebendo alguma coisa, batendo um papo com o som nas alturas... enfim... CHAME O MAXIMO DE ATENÇÃO! Faça com que as pessoas que estejam passando pelo centro, não entenda nada do que esta acontecendo ali!
Teremos algumas performances acontecendo, como malabaristas e uma performance chamada CORPINTURADAS (veja o vídeo pra mais detalhes).
Cartazes serão distribuídos e você também pode trazer o seu.
NÃO traga nenhum cartaz sobre drogas. O controle dessas substancias é responsabilidade do governo e não temos nada haver com isso. O uso ou repudio a essas substancias é algo pessoal e que também nada tem haver com essa ação.
= E quando acabar?
As 18:30 em ponto saia do foco da ação. Não de explicação a ninguém. Simplesmente aja normalmente, como se aquilo tivesse sido um “surto” e saia deixando as pessoas curiosas...
As pessoas que participarem, podem marcar alguma coisa antes ou depois da ação, porém pedimos, pra que o efeito do FM não se perca, que se houver algum encontro, não seja no mesmo local.
= Divulgue, divulgue, divulgue!
Pedimos a sua participação ativa nesse momento para poder convocar a todos pra esse ato, que além de ser uma nova forma de protestar, sem duvida será muito divertido.
É hora de demonstrar nossa união independente do gênero musical em nossos tocadores portáteis de musica, estaremos ali por acreditar que através da UNIÃO podemos começar a mudar as coisas por aqui.
Baixe o Mídia Kit do Festa Imaginária e divulgue por tudo quanto é canto.
DOWNLOAD
No Midia Kit você vai encontrar:
- Texto formatado pra divulgação no orkut.
- e-Flyer
- Avatar retangular pra ser usado no facebook, orkut e outras mídias
- Avatar quadrado pra usar no MSN
- Userban pra ser usado na sua assinatura dentro do Plurall ou em outros fóruns.
Unidos temos a força
| Reações: |
sábado, 12 de setembro de 2009
Sobre Casa-Grande e Senzala
No início de sua obra, Gilberto Freyre toma a miscigenação como o seu problema inicial, partindo também do pressuposto que raça é diferente de cultura, discriminando os efeitos genéticos dos sociais, da herança cultural e do meio. Esta é à base de Casa Grande e Senzala.
Para Freyre, a miscigenação aproxima os antagonismos, democratizando o que a monocultura latifundiária aristocratizou. Desta maneira, a raça e a religião não são os elementos principais da formação patriarcal do Brasil, e sim a cultura, a constituição da família (unidade colonizadora) e a religião.
Freyre toma o Brasil como realização da aptidão portuguesa com base na agricultura, estabilidade patriarcal da família, mão de obra escrava e miscigenação de brancos com índios. Para tal, os portugueses contaram com a sua predisposição à colonização, devido ao seu passado étnico e cultural como povo indefinido e ao antagonismo que se apresenta em tudo que é seu, desde hábitos até características de fontes étnicas diversas. É esta “imprecisão” do português que o possibilita a conviver com elementos que se opõe. Este antagonismo português é o que caracteriza a colonização do Brasil e a formação de sua sociedade.
A miscigenação foi o processo no qual os portugueses supriram sua carência de “volume humano” para a colonização. Somando-se a mobilidade herdada do elemento semita na cultura portuguesa, que permitiu ao português ter condições físicas para o êxito nesta empreitada, e a adaptabilidade o português foi favorecido como conquistador de terras, pois já era adaptado ao clima africano, tendo assim facilidades para se adaptar ao clima tropical do Brasil.
Devido a estas características, o português pode triunfar onde outros europeus falharam. O colonizador português foi o primeiro a mudar a base de colonização extrativista para produtora de riquezas, gerando uma colônia de plantação onde o colono permanecia na mesma. Ao chegar ao Brasil, os portugueses vêem a terra e o homem aqui presentes em seu estado “bruto”, e esta ausência de riquezas e de organização comercial levam-no a estabelecer aqui a exploração agrícola.
As plantações não foram investimentos estatais, mas realizadas pela iniciativa privada que povoou e militarizou as terras brasileiras. A iniciativa privada promoveu a miscigenação, o latifúndio e a escravidão, possibilitando o desenvolvimento e a estabilidade da colônia agrícola. Esta iniciativa privada é “liderada” pela família, que é o grande elemento colonizador, sendo esta a grande aristocracia da América.
Diferentemente da França e da Espanha, os portugueses não trazem ao Brasil o separatismo político nem divergências religiosas; o país formou-se da unidade da raça. O Brasil era aberto a estrangeiros, desde que fossem católicos, pois para o português “igual” era aquele que professa a mesma fé. Temia-se que o não católico perturbasse a solidariedade que Portugal desenvolveu em conjunto a religião católica. Para Freyre, o catolicismo foi o cimento da unidade brasileira.
Em relação à inferioridade física do brasileiro, Freyre diz que esta era atribuída a questões da raça ou do clima, porém ele denuncia que este era um problema de nutrição. A economia latifundiária que possibilitou o desenvolvimento econômico do Brasil prejudicou as fontes nutricionais. Desta maneira ele ia de contra as teorias racistas.
Em conjunto a problemática da desnutrição, Freyre chama a atenção para o problema da sífilis, que era a doença da casa grande e da senzala, sendo esta sifilização o correspondente a vantagem da miscigenação.
A primeira fase do povoamento é de grande importância para a miscigenação e para a sifilização, foram os primeiros colonos que permitiram que a colonização fosses possível, culminando na formação poligâmica de uma sociedade híbrida, e, desta maneira, gerando filhos mestiços e difundindo a sífilis pela comunidade indígena.
Como fica claro para Freyre, a todo instante a formação do Brasil é formada por relações antagônicas, sempre um lado se beneficiando do outro, seja o português explorando o trabalho escravo, seja usando as índias para aumentar o volume humano para a colonização. Esta ação sádica, que caracteriza a relação de conquistador sobre conquistado, senhor de engenho sobre escravo, dentre diversos outros antagonismos, é a ação ligada à circunstância econômica da formação patriarcal, influenciando a esfera política e social.
Na mediada que a esfera libertária do povo brasileiro é aparada pela masculinidade e aristocracia do governo brasileiro, a tradição conservadora se sustenta na “defesa da ordem”. É neste antagonismo (liberdade e ordem) que a política brasileira se equilibra, onde o negro, servindo de mediador entre a cultura portuguesa e a ameríndia, possibilita a aproximação de extremos.
Em toda a sua obra, o que se pode destacar é a valorização da miscigenação em contrapartida as teorias raciais de inferiorização do mestiço, levantando a idéia da democratização racial e da equivalência da miscigenação à democratização. Entretanto, sua obra ainda mantém muito presente a idéia de raça que virá a não ser mais utilizada. Neste ponto, Freyre ainda mantém uma tradição de observação da sociedade tendo como um dos parâmetros a questão “raça”. Diferentemente de outros autores, Gilberto Freyre não toma a raça como elemento central, distinguindo dessa maneira o conceito de “raça” do de “cultura”.
Dessa maneira, Freyre estabelece um novo patamar analítico para interpretar o Brasil, para isso ele faz uma análise dos elementos que permitiram a persistência e a colonização portuguesa. Para tal utiliza-se de dois modelos científicos: o modelo histórico, recriando o período colonial e anterior de modo a compreender a formação da sociedade brasileira; e o modelo comparativo, onde disserta as diferenças entre a colonização portuguesa e a inglesa e espanhola, as capitanias do nordeste e do sudeste, dentre diversas outras comparações.
| Reações: |
